Arquivo do mês: março 2010

Devemos redescobrir nosso país

O mês de abril está repleto de feriados. Todos iguais; preparativos, trânsito intenso, viagens, mas apenas a minoria conhece o verdadeiro por que do dia de folga. Com o feriado de Tiradentes a situação não é diferente.

      Quem foi ele, o que fez, são questões que parecem irrelevantes à população fora da sala de aula, é importante relembrá-los que esse herói brasileiro, e muitos outros, tiveram grande importância para imaginário social do país e consecutivamente para a definição da Identidade Nacional.

      Partindo desse principio, analisar a sociedade brasileira e as heranças trazidas pelo seu passado torna-se uma questão relevante. Na história nada se transforma completamente, e por mais que haja alterações, as raízes se fazem presentes nas sociedades atuais. O jornalista e político Gilberto Freyre acreditava que a essência da realidade cultural brasileira, por exemplo, tinha suas raízes no sistema agrário do Nordeste Colonial.

      A análise do sociólogo é pertinente, uma vez que a plasticidade portuguesa, a sociedade patriarcal dividida entre dominados e dominadores, as relações sexuais sadomasoquistas, entre outras, foram fatores que influenciaram a construção da Identidade Nacional Brasileira e na imagem do brasileiro como “homem cordial”. Sérgio Buarque de Holanda caracterizou o tal “homem cordial” como incapaz de distinguir o interesse privado do interesse coletivo, não justificando, mas fundamentando fatos atuais como pagamento e horas extras em janeiro, ou utilização de verbas públicas para pagamento de passagens de aviões, paraísos fiscais e outros vários exemplos de corrupção no país.

      Outra herança cultural que repercute até hoje em nossa sociedade e de sua respectiva evolução é a depreciação da imagem feminina. A mulher desde os primórdios foi tratada pelo sexo masculino como um ser inferior. Observando a ameaça da mulher que começava a ingressar no mercado de trabalho e era capaz de usufruir da sua consciência, o sexo oposto baseou-se entre outras teorias no cientificismo e na religião – que sempre teve destaque na historia brasileira – para sustentar a inferioridade e a submissão da mesma.

      A partir do cientificismo afirmavam que a caixa craniana feminina era menor, portanto menor seria a capacidade intelectual da mulher. Já  a religião através da associação de Maria como a mãe pura da família e Eva como a pecadora prostituta tentava transpor essa realidade para o dia-a-dia da sociedade.

      Nacionalmente, a submissão da mulher se iniciou no período colonial, aonde devido à descoberta da liberdade pelos europeus, somado à ausência da mulher branca, resultou na dupla submissão feminina, notando-se a inferioridade tanto intelectual quanto sexual, uma vez que essas sofriam com a perversidade e o abuso masculino. Já na atualidade, tais valores ainda resistem na concepção nacional e mundial, ocorre que a mulher brasileira ainda é vista como objeto sexual.

      Contraditoriamente à inferioridade feminina na sociedade brasileira, sempre existiu no país a exaltação de heróis nacionais, como foi o caso do Tiradentes. A partir dessas adorações a heróis e ídolos, os governantes aproveitaram de tal situação para tentar legitimar seus governos, como fez Getúlio Vargas passando através das Cartilhas nas escolas da época do Estado Novo a sua imagem associada ao pai da nação, reforçando a relação nação-cidadão, onde o governante protege os cidadãos por isso a necessidade de ser um bom filho, um bom cidadão.

      Essa característica de “mandonismo” auxiliou também a corrupção exacerbada do país. Anos de exploração colonial, somado as longas ditaduras, fez com que os brasileiros se tornassem eleitores pouco exigentes e críticos. A população foi condicionada a obedecer aos governantes, o que nos remete a situação atual do Brasil, um país democraticamente livre onde os cidadãos não questionam muitos casos de corrupção, tratando tais disparates como casos comuns.

      A exploração colonial provocou a formação e consolidação nas colônias de uma consciência sub-desenvolvimentista, impedindo assim a formação de um pensamento e de um comportamento favorável ao desenvolvimento autônomo.

      Mas como exigir que o brasileiro reconheça sua história, seus heróis, sua política, suas mulheres, se desde o período colonial o que nos impuseram foi uma realidade alheia. Segundo Sérgio Buarque de Hollanda “o Brasil deveria ser redescoberto e reconstruído por sua própria população”, o que possibilitaria então o brasileiro ter discernimento entre o que lhe foi imposto e o que de fato é de sua cultura, permitindo uma olhar mais critico diante de suas realidades e não aceitando conceitos exteriormente legitimados sobre o país. 

Por Marina Scalon

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Deborah Colker: Gênio da dança contemporânea

Técnica, habilidade, força, sensibilidade e pura beleza. São estes os resultados do trabalho da coreógrafa carioca Deborah Colker.

Reconhecida por todos no universo da dança, nacional e internacional, Deborah se revela como um gênio das coreografias no estilo de dança contemporânea. O trabalho duro que realiza com seus bailarinos, que ensaiam cerca de oito horas diárias, é refletido nos palcos, na perfeição e complexidade dos movimentos.    

A Companhia de Dança Deborah Colker nasceu em 1993, mas a estréia ocorreu em 1994, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em um programa duplo com o Grupo Momix. Devido ao sucesso imediato, a Companhia conquistou o patrocínio da Petrobrás, o que possibilitou alcançar seu espaço no cenário mundial. A partir daí, a CIA viajou para muitos países e ganhou vários prêmios importantes.

O talento único de Deborah Colker fez com que ela fosse a primeira mulher a dirigir um espetáculo do Cirque Du Soleil. ‘Ovo’ é o nome do espetáculo que estreou em 2009, no Canadá. Com o tema inspirado no mundo dos insetos o show foi delirantemente aplaudido.  

O mais recente espetáculo da Companhia Deborah Colker foi ‘Cruel’, estreado em 2008. Deborah conta que ‘Cruel’ nasceu quando ela percebeu como é cruel a condição humana frente ao desejo, por ser algo inevitável. A palavra ‘crueldade’ ficou na sua cabeça e foi aí que o espetáculo nasceu. O processo narrativo foi reforçado pela crueldade que existe nas histórias do cotidiano.

 Confira trechos de ‘Cruel’:

Por: Aline Bonilha

Intervenção Urbana

Intervenção Urbana é o termo utilizado para designar os movimentos artísticos relacionados às intervenções visuais realizadas em espaços públicos. No início, um movimento underground que foi ganhando forma com o decorrer dos tempos e se estruturando. Mais do que marcos espaciais, a intervenção urbana estabelece marcas de corte. Particulariza lugares e, por decupagem, recria paisagens. Existem intervenções urbanas de vários portes, indo desde pequenas inserções através de adesivos (stickers) até grandes instalações artísticas.

Vamos conferir algumas?

Por: Roberta Saltori

11ª Arte

Bem vindos ao blog 11ª Arte! Neste espaço 11 estudantes de jornalismo vão discutir, observar, comentar, falar sobre e admirar a Arte e todos os conceitos englobados por ela!